História oral e música: portas para reflexões interdisciplinares

O NEHO-USP – Núcleo de Estudos em História Oral, que conta com 21 anos de história, inicia nova etapa passando a integrar o Diversitas – Núcleo de Estudos das Diversidades, Intolerâncias e Conflitos, como centro de pesquisa membro.

A proposta do Diversitas é ser uma referência para pesquisadores nacionais e internacionais, além de servir de estimulo para novas pesquisas, sobretudo no campo das diversidades em seu sentido histórico, cultural, social e étnico.

Partindo deste objetivo central foi inaugurado esta semana o Programa de Pós-graduação Interdisciplinar “Humanidades, Direitos e Outras Legitimidades”, cuja programação ainda em andamento pode ser conferida aqui.

A mesa apresentada ontem teve como destaque a história oral e contou com a participação do Prof. Dr. José Carlos Sebe Bom Meihy e da Prof. Dra. Mara Selaibe.

Prof. Dr. José Carlos Sebe Bom Meihy

A conferência abordou assuntos que inicialmente não possuiriam conexão, tais como os movimentos migratórios, a música brasileira, a história oral e a memória coletiva. Porém, sua condução apresentou aos presentes novas formas de significar temas já tradicionais.

Sob uma perspectiva interdisciplinar, mote para o evento em questão, o tema da imigração apareceu com cores alternativas, desta feita tendo o Brasil como cenário não mais para uma recepção cordial de grupos diversos, mas como o espaço que por motivações distintas e subjetivas, impelia contingente expressivo a buscar novos lugares para construírem ou reconstruírem suas histórias de vida.

O livro Brasil Fora de Si, trabalho que reuniu mais de 600 entrevistas feitas com brasileiros nos Estados Unidos foi exemplo sugerido por Mara Selaibe para a reflexão: “Em terreno interdisciplinar, quais os possíveis usos deste `arquivo` composto através de um amplo trabalho de história oral?”.

Para além de tais pontos, o estudo do repertório musical brasileiro que faz referência à cidade de Nova Iorque complementou os apontamentos. Baseados na memória coletiva indicou um caminho não convencional para o tratamento deste tipo de documentação. A produção cedeu espaço à recepção e, com isso, as músicas tão conhecidas foram ressignificadas à luz de um estudo que busca na sociedade o suporte para seu desenvolvimento.

Desta forma, deu-se início a um diálogo promissor acerca dos amplos e variados usos de diferentes formas de produção de conhecimentos em um território que se pretende interdisciplinar.