Afinal, para que serve a história oral?

Por Marcela Boni

Olhando superficialmente, a pergunta que nos serve de mote pode parecer despropositada. Afinal, nos esforçamos constantemente para ressaltar a importância dos projetos de história oral e seu potencial diálogo com outras áreas do conhecimento e com as questões sociais que se levantam no mundo contemporâneo.

Justamente pensando nisso, cabe-nos evidenciar o que direciona tais trabalhos a partir das etapas que os estruturam. Para tanto elencamos as seguintes perguntas: história oral quando, de quem, como, por quê e, finalmente, para quem?

quando nos insere a preocupações que envolvem a produção documental em casos onde não há outros registros acerca do tema estudado. Entretanto, a preocupação central da história oral não estaria no puro preenchimento de lacunas, mas na produção de documentos alternativos e na valorização das narrativas envolvidas, o que imprime traços de subjetividade ao fazer. Busca-se eleger, neste sentido, temas pertinentes ao momento em que se desenvolve o projeto, de modo que possa haver sempre que possível, diálogo público a respeito.

De quem? Simplificadamente, podemos dizer que a história oral tem como pressuposto privilegiar visões alternativas acerca das experiências históricas e, desta forma, teriam maior espaço em seu escopo os grupos considerados minoritários ou marginalizados socialmente. Entretanto, importa ressaltar que ainda que isto seja visível, é desejável que os projetos abarquem também as diversas versões sobre as temáticas estudadas. Assim, vítimas e perpetradores teriam espaço em tais estudos.

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Como colocar em prática? Enfatizamos frequentemente a importância da elaboração de um projeto para o desenvolvimento de trabalhos de história oral. Indubitavelmente, este é o passo fundamental. Para além disso, é necessário deixar claro qual o gênero de história oral adotado (história de vida, história oral temática, testemunhal ou tradição oral), o que implica diretamente nos procedimentos operacionais, sobretudo, na condução das entrevistas e nos desdobramentos analíticos posteriores.

Já os motivos de elaborar e colocar em prática um projeto de história oral tem a ver com apontamentos que não raras vezes é alvo de críticas por parte de outros pesquisadores e diz respeito a um posicionamento comprometido com o presente e as tranformações sociais. De acordo com MEIHY & RIBEIRO (2011) “Porque o ‘aqui e agora’ é matéria essencial da história oral, não há como deixar de ver clamores de mudanças”.

Por fim, isto nos encaminha para a última questão. Para quem é feita a história oral? Sem desconsiderar as expectativas dos pesquisadores envolvidos, este ponto remete diretamente ao aspecto receptivo dos resultados dos trabalhos de história oral. O público, por assim dizer. E nisto nos referimos ao espaço público como um todo e ao potencial de proposição de políticas públicas que tais estudos evocam. A busca por uma produção de conhecimentos comprometida com uma história pública tem sido palco de diálogos que se estabelecem entre diversos setores sociais e profissionais e desencadeado iniciativas que buscam divulgar as histórias de vida dos entrevistados, de modo a ampliar o debate público a respeito das questões que estas suscitam.

Mais detalhes teóricos e metodológicos podem ser encontrados no Guia Prático de História Oral, publicado pela Editora Contexto.

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